Colunistas
Do ventre da mãe aos primeiros passos: os desafios da vida
Há momentos em que servir não é uma escolha, mas um instinto. É isso que move cada um de nós, rotarianos, a transformar boa vontade em ação concreta. O Rotary não se define apenas pelo que faz, mas também pelo que faz durar, pelo impacto que permanece.
Em nossos clubes, semana após semana, provamos que não existe gesto pequeno quando estamos conectados a uma rede global de pessoas decididas a mudar realidades. É essa soma silenciosa que sustenta nosso trabalho há mais de um século, e dessa jornada nasce nosso orgulho de pertencer a uma organização que não aplaude de longe, mas que arregaça as mangas, que se aproxima, compreende as reais necessidades, entra em ação e causa impactos duradouros.
Das nossas sete áreas de enfoque, a saúde materno-infantil, por representar o compromisso mais profundo com a proteção da vida, ocupa um lugar privilegiado no coração dos rotarianos.
Salvar uma mãe e assegurar os primeiros dias de vida de uma criança é intervir no momento mais frágil, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais sublime da existência humana. É proteger dois destinos, preservar uma família e abrir caminho para um futuro inteiro.
Quando estendemos a mão a uma mãe em situação de risco, não estamos somente oferecendo cuidado: estamos devolvendo esperança. Quando garantimos que uma criança atravesse seus primeiros dias com saúde e dignidade, estamos defendendo o direito de ela crescer, sonhar e transformar o mundo.
É por isso que essa causa toca tão profundamente nossos sentimentos. Porque, diante da vida que começa e da vida que precisa ser protegida, não podemos permanecer indiferentes. Servir nessa missão é colocar o coração a serviço da humanidade.
Esse compromisso ganha contornos que emocionam. Em cidades pequenas e nas grandes periferias, aproximamos gestantes de cuidados muitas vezes distantes. Reduzimos a mortalidade neonatal, apoiamos redes de amamentação, doamos leite e kits de berço, oferecemos apoio psicológico. Um verdadeiro mosaico que se adapta às necessidades de cada região. Nossas ações perduram porque são construídas com quem viverá seus efeitos, não apenas para quem foi beneficiado.
Esse espírito é reforçado pela mensagem presidencial de 2026-27, Crie Impacto Duradouro. Significa ir além do atendimento pontual. É fortalecer sistemas, formar pessoas, deixar estruturas que continuem salvando vidas muito depois de cada projeto ser concluído. Em saúde materno-infantil, impacto duradouro se mede por meio de crianças que crescem e mães que permanecem.
Aos clubes rotários do Brasil, fica uma invocação: que cada projeto considere a saúde de mães e crianças como prioridade. Que cada clube busque parcerias. Que a Fundação Rotária continue sendo o instrumento de cada conquista. Que cada associado encontre, nessa causa, a expressão mais pura de servir acima de si mesmo.
Não basta fazer o bem: é preciso estabelecer viabilidade para que esse gesto seja duradouro. Depois, quando olharmos para trás e virmos uma mãe amparada, uma criança segura, saberemos que cada hora doada tinha um destino: a vida, protegida do ventre da mãe aos primeiros passos.
* O autor é César Luis Scherer, diretor 2025-27 do Rotary International.