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Cuidado sem fronteiras

ago 3, 2026

Enquanto eu estava sentada ao lado do meu pai no hospital, ouvindo o ritmo tranquilo das máquinas que agora falavam de forma mais constante do que sua própria voz, a vida parecia reduzida ao essencial. Doenças graves têm esse poder. Elas revelam o que realmente importa e nos lembram – às vezes com suavidade, outras de forma dolorosa –o que deveria importar para todos nós.

Meu pai enfrentava um câncer em estágio avançado. O caminho foi árduo e, muitas vezes, cruel, mas, mesmo em meio a essa situação difícil, deparei-me com uma verdade simples: toda pessoa, em qualquer lugar, merece ter acesso a um cuidado que respeite sua dignidade. Não apenas tratamento, mas compaixão. Não apenas medicamentos, mas a certeza de que sua vida tem valor.

Ao observar enfermeiros se movimentarem com a desenvoltura de quem domina seu trabalho, e médicos oferecerem tanto honestidade quanto esperança, fui tomada pelo pensamento de que milhões de pessoas jamais vivenciarão esse nível de apoio. Não porque suas vidas importem menos, mas porque o acesso a cuidados de saúde continua desigual entre países e comunidades. Esse não é um argumento político; é um argumento humano.

Toda família merece a mesma oportunidade de cura. Ao longo dos meus anos no Rotary, compreendi que a Fundação Rotária nos mostra como essa crença é compartilhada por diversas culturas e nações.

Em um momento no qual o financiamento internacional para a prevenção e o tratamento de doenças vem diminuindo, projetos de saúde vitais correm o risco de perder força. Nossa Fundação, e vocês, nossos associados, proporcionam o apoio impulsionado pela comunidade necessário para evitar que isso aconteça.

Estamos financiando vacinas no Paquistão, capacitando profissionais de saúde em Moçambique e fortalecendo sistemas de saúde frágeis na Guatemala. Por meio da Fundação, a cooperação internacional não é um ideal abstrato. É uma responsabilidade que pode ser alcançada quando as pessoas optam por agir com generosidade, parceria e humanidade compartilhada. Tenho muito orgulho da nossa liderança coletiva.

Sentada ali, segurando a mão do meu pai enquanto ele oscilava entre o sono e a vigília, lembrei-me de como a vida é frágil e preciosa. A medida de um mundo justo não está em sua riqueza ou poder, mas na firmeza com que protege os vulneráveis.

A luta do meu pai foi pessoal; infelizmente, ele faleceu em junho. Mas a luta por um sistema de saúde mais justo e compassivo, que reconheça o valor de cada vida de forma igualitária, é universal. Ela pertence a todos nós. Por meio de sua generosidade e compromisso com a nossa Fundação – e pelo simples fato de nos importarmos com pessoas além das fronteiras –, nós nos aproximamos de um mundo onde ninguém seja deixado à margem.

* A autora é Jennifer Jones, chair 2026-27 do Conselho de Curadores da Fundação Rotária.

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